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Campanha arqueológica dirigida por Celtia Rodríguez-González identifica restos de um indivíduo infantil em O Castelo de Valencia do Sil
2026 | Vilamartín de Valdeorras, Galiza
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A campanha arqueológica de 2026 no sítio de O Castelo de Valencia do Sil, financiada pelo Concello de Vilamartín de Valdeorras e dirigida por Celtia Rodríguez-González, investigadora do Lab2PT e da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, permitiu documentar novos dados sobre a ocupação doméstica, a vida quotidiana e as dinâmicas sociais deste assentamento tardo-romano.
Entre os principais resultados destaca-se a identificação de novas divisões habitacionais integradas no grande complexo residencial, bem como a recuperação de materiais cerâmicos completos ou praticamente completos e de objetos metálicos associados aos séculos IV e V d.C. Entre estes materiais encontram-se facas, peças de uso quotidiano e elementos de adorno pessoal, como anéis de bronze, que permitem aprofundar o conhecimento sobre as práticas domésticas, produtivas e sociais das comunidades que habitaram o sítio.
Um dos achados mais relevantes da campanha foi a identificação de restos ósseos correspondentes a um indivíduo infantil, documentado em associação com níveis de regularização das estruturas e provavelmente relacionado com uma das primeiras fases de ocupação do assentamento.
Segundo Celtia Rodríguez-González, diretora da escavação e investigadora do Lab2PT/Universidade do Minho e da Universidade de Santiago de Compostela, “encontrar um indivíduo infantil neste tipo de contextos é relativamente invulgar para as cronologias com que trabalhamos. No caso de O Castelo, a posição estratigráfica parece indicar uma possível relação com a primeira fase do assentamento arredor do séc. I d.C.” O estudo bioantropológico preliminar, realizado por Laura González-Garrido, indica que os restos correspondem a um número mínimo de um indivíduo, com uma idade à morte estimada entre 36 e 38 semanas de gestação. Trata-se, portanto, de um indivíduo perinatal, provavelmente um feto a termo, de sexo indeterminado.
Estes resultados, ainda preliminares, abrem novas linhas de investigação sobre as práticas funerárias, os rituais domésticos, a infância, as maternidades e os cuidados nas comunidades tardo-romanas do noroeste peninsular. O Castelo de Valencia do Sil consolida-se, assim, como um sítio fundamental para compreender as formas de vida, a organização doméstica e as dinâmicas sociais de Valdeorras entre os séculos IV e V d.C.
Instituições participantes: Concello de Vilamartin de Valdeorras, Unidade de Arqueologia Universidade do Minho, Lab2PT/IN2APST, Sputnik Labrego, Proxecto Coidarq, Universidade de Santiago de Compostela
Mais informação sobre o Projeto: https://coidarq.com/
