Lab2PT — Pessoas — Alunos de doutoramento
Perfil
Miguel Afonso Neves Gonçalves da Silva Martins
Desde junho de 2026
id12500@uminho.pt
Ciência ID
DA15-135B-8D44
Grupo Lab2PT
SpaceR - Espaço e Representação
Área Científica
Geografia Económica e Social
Orientação
Paula Cristina Almeida Cadima Remoaldo Hélder Tiago Silva Lopes
Titulo do Projeto
Estratégias de mobilidade e os seus impactes na segregação espacial e nas perceções dos residentes – estudo de caso do município de Barcelos
Resumo
Um dos principais desafios da Humanidade prende-se com o crescimento populacional. Ao nível do planeamento urbano, este fenómeno reflete-se, sobretudo, em diversas previsões que apontam para um aumento populacional intenso até ao final deste século e na consequente tendência para uma maior concentração de população em territórios urbanos. Segundo dados, de 2019, da Organização das Nações Unidas (doravante referida como ONU), prevê-se que a percentagem de habitantes em espaços urbanos ascenderá a perto de 70% em 2050. O World Urbanization Prospects 2025, publicado pela ONU, refere que as áreas urbanas são os espaços com maior crescimento populacional na larga maioria dos países. Além disso, este relatório aponta que, até 2050, dois-terços do aumento da população mundial projetado estarão concentrados em cidades, perfazendo um número aproximado de cinco mil milhões de indivíduos. O Relatório Mundial das Cidades 2022, da autoria da ONU-Habitat, situa a percentagem mundial de residentes em cidades na ordem dos 68%. De acordo com o Banco Mundial (2023), 56% da população mundial vive já em cidades, com a previsão de que 7 em 10 indivíduos irão habitar em meios urbanos no futuro. Já a Comissão Europeia, num estudo de 2014, estimava que a fatia da população a viver nestas áreas alcance 85% em 2100. Decorrente desta problemática, emanam diversos desafios para os responsáveis pelo planeamento urbano. Afinal, com o aumento acentuado de habitantes em espaços urbanos, os problemas já existentes agravam-se, enquanto surgem novas questões que requerem soluções. Uma destas problemáticas prende-se com a mobilidade em meios urbanos. Elemento essencial no quotidiano das sociedades, a mobilidade, ainda que possa ser interpretada de acordo com diferentes perspetivas, assenta num pressuposto fundamental. Trata-se da capacidade de movimento de indivíduos, grupos, bens ou informação, entre determinados pontos, através de meios físicos ou digitais (Metz, 2000; Litman, 2003; Teles, 2005). No âmbito do planeamento urbano, a mobilidade representa um eixo central da organização dos territórios, configurando um aspeto fundamental. Como tal, e assente no pressuposto da capacidade de realização de movimento, a mobilidade, no contexto destes processos e atendendo às condições espaciotemporais, procura conferir às deslocações uma maior eficácia, acessibilidade, sustentabilidade ou segurança. Desta forma, é possível aferir que a mobilidade pode ser definida enquanto conceito aglutinador de diversas variáveis, salientando-se, dado o propósito do presente estudo, o seu carácter integrador, na medida em que assegura a ligação entre lugares no espaço geográfico e, simultaneamente, garante que os indivíduos se podem deslocar. De modo a dar resposta às preocupações emergentes nas sociedades, o paradigma do planeamento urbano tem vindo a ser alvo de profundas transformações, que refletem mudanças societais e ambientais, decorrentes do desenvolvimento humano. Por conseguinte, algumas questões, como a necessidade de enfrentar a emergência climática com que a Humanidade é confrontada, têm levado a que sejam implementadas determinadas ações nos processos de planeamento, de forma a garantir que esta situação possa ser mitigada, não descurando a importância de responder às necessidades das populações. Tendo estes factos em consideração, resulta, portanto, que ideias refletidas em conceitos como “sustentabilidade” sejam integradas no pensamento em torno do planeamento urbano. Quanto à mobilidade em contextos urbanos, a adoção da sustentabilidade enquanto um dos seus pilares está patente nas diversas abordagens que são efetuadas. O planeamento urbano tem vindo a atribuir uma relevância crescente à redução de emissões de carbono (o já referido contributo para a mitigação da emergência climática), levando a que sejam avançadas novas políticas de mobilidade. Medidas como a redução no número de veículos a circular nestes espaços, um maior investimento em percursos pedonais, até ao estabelecimento de novos modos de transporte, evidenciam uma revolução transformadora no paradigma da mobilidade urbana, tendo em vista a redução da poluição e, simultaneamente, a prestação de serviços adequados à população. Paralelamente, os agentes responsáveis pelo planeamento urbano têm vindo a incorporar, paulatinamente, no cerne das suas ações, a priorização do bem-estar dos indivíduos. De facto, a vertente social tem ocupado um papel central no desenvolvimento das áreas urbanas. Desta forma, as problemáticas sociais foram alvo de uma maior primazia nestes processos, de forma a solucioná-las. Não obstante, e ainda que tenham já sido alcançados diversos avanços, a desigualdade social mantém-se como um dos principais flagelos das sociedades contemporâneas. Nesse sentido, importa, pois, colocar as seguintes questões: de que forma é que a mobilidade se relaciona com a desigualdade social? Em que medida as estratégias de mobilidade podem contribuir, negativamente, para situações de desigualdade social? Para responder a estas perguntas, torna-se, então, crucial enquadrar o nosso estudo sob a lente de um conceito teórico: a segregação socioespacial. Este processo representa a forma como as desigualdades sociais se repercutem na utilização do espaço urbano pelos grupos de indivíduos que o compõe, de acordo com as suas caraterísticas. Além disso, esta perspetiva visualiza o espaço como um lugar onde as relações sociais se expressam, mas também onde as desigualdades sociais se materializam (e se refletem, precisamente, na forma como o espaço é utilizado). Conforme referido inicialmente, atualmente, o fenómeno de crescimento populacional, e consequente aumento da população em meios urbanos, é global, sendo que Portugal não é exceção. Desta forma, várias cidades do país sofreram, ao longo das últimas décadas, acentuados processos de urbanização. Tendo isto em consideração, e uma vez que o proponente da presente tese conhece e vivencia com grande proximidade a realidade do município de Barcelos, propomo-nos a definir este território como área de estudo. Pese embora um conjunto de avanços no que concerne à mobilidade, o município de Barcelos continua a ser um espaço onde existem diversas dificuldades, sentidas diariamente por quem reside e frequenta o seu território urbano. Consideramos ser importante desenvolver uma análise das estratégias de mobilidade nestas áreas, de forma a identificar problemas existentes e apresentar possíveis soluções, em diferentes momentos do horizonte temporal. É ainda de salientar que, tratando-se de uma cidade portuguesa de média dimensão, desconhecemos, nesta fase, a existência de estudos que procurem analisar a mobilidade nestes contextos, segundo uma perspetiva que a relacione com a desigualdade social. Além disso, e de forma a complementar, esta investigação procurará envolver a população que reside e frequenta estes espaços do município de Barcelos, definindo uma amostra populacional representativa para a aplicação de um inquérito por questionário e por entrevista. Este envolvimento irá possibilitar uma maior compreensão da perceção dos habitantes quanto às estratégias da mobilidade, dotando a pesquisa com uma outra dimensão a atender, nomeadamente, um carácter democrático e que potencie uma participação cidadã ativa, colmatando na análise baseada na constituição de um Conselho Consultivo. Em suma, a presente pesquisa propõe-se desenvolver um estudo aprofundado sobre as estratégias de mobilidade nos territórios urbanos do município de Barcelos, tendo em conta as perceções dos residentes. Consideramos que a presente investigação possui um papel inovador, na medida em que poderá constituir as bases para análises futuras, replicáveis noutros territórios urbanos e capazes de solucionar problemas sentidos ao nível da mobilidade.
Palavras-chave
Planeamento urbano; Mobilidade espacial; Segregação espacial; Desigualdade social; Desenvolvimento territorial
Unidade Orgânica
Instituto de Ciências Sociais